E se o resultado não for o que desejamos?

Silvio Celestino em 27 de Maio de 2009 @ 00:10  | Enviar por e-mail  | Hits para esta publicação: 664

Everest subida campo 3   Morey 1 - Everest subida campo 3   Morey 1
No mundo dos negócios não existe o quase: ou a venda ocorreu ou não! É simples assim. Um executivo sabe que as metas estabelecidas não são opcionais. A exigência é grande e todos são cobrados e principalmente se cobram muito a perfeição, o máximo, o limite! (As mulheres executivas então, são um capítulo à parte no quesito auto-cobrança). Mas e quando saímos do mundo executivo e temos de enfrentar os resultados de nossas vidas que não podem ser medidos em termos financeiros?

Tenho um amigo, Carlos Morey, também executivo, que estava escalando o Everest e foi possível acompanhar sua aventura através de seu blog ao longo do mês de maio. A meta era atingir o cume aos 8.845m. Foram 2 anos de intenso preparo, uma viagem longa até o Nepal, a inscrição na expedição, o material,enfim, tudo minuciosamente preparado para o desafio. Mas, aos 8.500m sua máscara de oxigênio apresentou problemas e ao tentar consertá-la o sherpa que o acompanhava acabou atingindo seu olho, sua lente de contato caiu e desapareceu na neve. Teve de abortar o ataque ao cume por motivos de segurança.

Sua frustração é evidente em suas mensagens, chegando a desculpar-se aos amigos e àqueles que torceram por sua conquista. Não precisava, pois foi emocionante acompanhar sua aventura e isto em si basta.

É verdade que no mundo executivo a meta é clara e que ou você a cumpre ou está fora. Mas, em nossas vidas a complexidade é maior que isto. Não se trata apenas de atingir os números embora demos a eles um significado imenso principalmente quando estabelecem marcos que indicam claramente que estamos progredindo. E progredir conta muito. Entretanto, nossa consciência sobre a amplitude da vida deve ser capaz de nos despertar para o verdadeiro assombro que é a nossa existência.

Precisamos crescer além dos números, evoluir de forma imensurável e lidar com a subjetividade e transcendência humana dando valor a nossas ações cujos resultados não são expressos em quantidade, mas em experiências únicas, marcantes, relevantes e inspiradoras.
Pois, se não o fizermos observaremos que sob o ponto de vista de resultados, temos produzidos excelentes executivos, profissionais, artistas e técnicos. Mas, seres humanos medíocres com problemas de alcoolismo, drogas, comportamentos auto-destrutivos e disfuncionais. Onde há o empobrecimento de nossas capacidades de nos expressarmos, uma vez que o fazemos somente a partir da quantidade de coisas que acumulamos e doamos em detrimento à experiência que vivemos e proporcionamos aos demais, especialmente aos que nos são mais caros.

Neste sentido a escalada de Morey é um exemplo que materializa as palavras de Joseph Campbell: o que procuramos não é um sentido para a vida, mas experiências que no plano físico nos demonstrem o enorme enlevo que é a nossa existência.

Namastê!

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