Privilégio: ter ou ser?
Silvio Celestino em 12 de Maio de 2009 @ 00:01 | Enviar por e-mail | Hits para esta publicação: 935
O comportamento de nossos parlamentares e certos funcionários públicos nos remetem ao significado de viver uma experiência de privilégios.
O que fica evidente é que algumas pessoas focalizam a definição da palavra sem refletir a respeito de seu real significado:
privilégio
s. m.
1. Direito ou vantagem concedida a alguém com exclusão de outros.
2. Título com que se consegue essa vantagem.
3. Diploma.
4. Permissão especial.
5. Imunidade, prerrogativa.
Estas pessoas pensam portanto que privilégio é algo que se tem: dinheiro, vantagens pessoais, oportunidade de viajar de graça de avião (e convidar quem quiser com o dinheiro do contribuinte), trabalhar poucas horas por semana, ter uma aposentadoria integral entre outros. Este comportamento sempre esteve associado à idéia de que é bonito você ter privilégios e que eles são mais uma questão de saber negociar e ser bem relacionado do que de merecê-los.
De forma disfuncional associa-se o ambiente que cerca uma pessoa bem-sucedida com o seu mérito. Em outras palavras, alguns preferem ostentar uma medalha, mesmo que tenham de comprá-la, do que fazer o esforço para merecê-la. Como se tê-la fosse o mérito e não a realização de algo para conquistá-la. Uma forma sem dúvida empobrecida e ingênua de se ver os feitos do mundo.
Se o indivíduo não tem propósitos ou não pretende realizar nada em sua vida então, por que entende que é merecedor de privilégios?
Entretanto, refletindo-se sobre o significado da palavra observa-se claramente que se trata mais de uma questão de ser do que de ter. Ou seja, se alguém deseja ser um parlamentar e a população o elege, então é um privilégio para esta pessoa ser um parlamentar eleito. Quando ela usa o dinheiro do contribuinte para seus interesses particulares, não está usufruindo de um privilégio, está cometendo um crime na pior das hipóteses ou esquecendo-se de que tem de zelar por aprimorar nossos usos e costumes e não repetir àqueles que já não nos servem mais por serem anacrônicos. Não importa o quanto procure interpretar as palavras da lei para explicar-se.
Os verdadeiros privilégios da vida têm existência no ser e não podem ser comprados, são concedidos pela própria consciência aos indivíduos: ser honesto, educado, comprometido com a excelência, ético, trabalhador, inteligente entre outras qualidades que o indivíduo pode desenvolver e aprimorar durante sua vida.
Os privilégios são concedidos à pessoa e portanto, não lhes pertencem. Cabe à ela somente usufruir com humildade e parcimônia pois eles podem ser sacados a qualquer momento. O objetivo de alguém que os concede não é a benevolência, mas a compensação e o reconhecimento do mérito. Portanto, antes de obter o privilégio a pessoa tem de ser merecedora e mesmo que o for, será permanentemente avaliada se é capaz de zelar pelo seu usufruto sem ferir aos demais que, como a definição explicita, são excluídos de tê-lo. No caso dos parlamentares suas atitudes são mais graves ainda pois estes excluídos são os que pagam por ele.
Particularmente como um dos excluídos pagantes, penso que é hora de eliminarmos todos os privilégios dos parlamentares e avaliarmos criteriosamente quem e porque certas pessoas neste país possuem privilégios demais às nossas custas. Estamos fartos de todos.
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Um comentário para “ Privilégio: ter ou ser? ”
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Jennifer-Tool 23 de Outubro de 2009 @ 06:07 1
Sim, provavelmente por isso e