Uma chance à investigação apreciativa de Susan Boyle

Silvio Celestino em 4 de Maio de 2009 @ 01:07  | Enviar por e-mail  | Hits para esta publicação: 605

Em 1.977 eu então com 11 anos fui submetido à uma prova oral de matemática. Dona Suzana era a mais temida de todas as professoras da escola - meus dois irmãos, assim como muitos alunos, repetiram de ano por conta dela. Seriam 20 perguntas e um erro causaria mais vergonha ainda porque seria cometido a frente de todos. Como sempre gostei da matéria e todas as possíveis perguntas eram estudas previamente, não foi difícil para mim responder sem errar nenhuma. Entretanto, quando já dispensado pela professora me dirigia de volta à minha cadeira ela me fez uma última pergunta que não estava na lista que ela pediu para estudar… e eu errei. Lá se foi o 10.

Passado tanto tempo, se você me perguntar quais foram as 20 perguntas que acertei, não me lembro de nenhuma, mas quanto a que errei foi: “O que são segmentos congruentes?”…

Toda vez que você pega um evento e adiciona emoção, ele fica impresso na sua memória e você poderá se recordar dele para sempre. É como se sua memória fosse um gado que você queima a fogo e então ela fica marcada.

É estranho a forma como desenvolvemos nas escolas aquilo que queremos que as pessoas aprendam. Quando alguém tira 9, lamentamos que tenha perdido o 10 e dizemos para estudar a pergunta que não respondeu corretamente. Entretanto, quando nos deslocamos para a vida fora da academia, observamos que o que o mundo pede de nós são nossas qualidades. Ninguém é perfeito. E no entanto em nossa cabeça buscamos a perfeição. Isto causa um comportamento estranho que eu chamo de investigação negativa: ou seja, estamos sempre buscando o que está errado, qual é o problema, o que não está bom, o que precisa melhorar… não é a toa que as pessoas desenvolvem doenças relacionadas ao estresse ao longo da vida.

E de novo isto me remete aos cometários sobre o sucesso de Susan Boyle, a desempregada escocesa com uma incrível voz que mostrou seu talento no programa “Britain´s Got Talent”.

Penso que o aspecto mais interessante a observar é a investigação negativa que fazemos não apenas de Susan, mas de todas as pessoas. Ela nunca foi ao microfone e disse que queria ser uma atriz, modelo ou mesmo uma referência de moda: ela disse que queria ser uma cantora! Como tal foi e é um talento relevante, marcante e inspirador. Entretanto, ao invés de falarmos sobre este seu dom, ficamos preocupados com sua beleza, suas roupas, seu jeito desengonçado de expressar-se. Parece-me que este julgamento é o aspecto mais bizarro desta história. Quando uma empresa contrata um funcionário está interessada em suas qualidades para o cargo, não em seus defeitos. Quando escolhemos alguém para amar, o fazemos por suas qualidades, não por seus defeitos. Penso que a grande lição desta história é que temos de exercitar a investigação apreciativa, ou seja, pararmos de focalizar os defeitos das pessoas e procurar por suas qualidades e como enaltecê-las.

Estética e competência ainda fazem a mais forte combinação de sucesso - como nos mostram atletas como Maria Sharapova (tenista) - entretanto, temos de evoluir, procurar e encontrar a excelência em pessoas cuja estética é diferente do que nos diz a mídia, a moda e o cinema principalmente. A internet neste sentido veio dar chances aqueles que possuem excelência em alguma área, possam demonstrá-la sem restrições e então ver a reação do público, sem filtros.

PS:
Outro exemplo tocante é o de Paul Pot, cantor de ópera que surgiu no mesmo show há alguns anos. Veja o vídeo aqui: Paul Pot

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2 comentários para “ Uma chance à investigação apreciativa de Susan Boyle ”

  1. Fal 5 de Maio de 2009 @ 02:02 1

    “Toda vez que você pega um evento e adiciona emoção, ele fica impresso na sua memória e você poderá se recordar dele para sempre.”
    é lindo isso. mesmo. boa semana!

  2. Dani 1 de Junho de 2009 @ 20:41 2

    Em todos os momentos da vida, realmente o que marca são as situações que não conseguimos reverter e o sentimento de frustação é imenso, parece sempre sem algo que temos que superar e ainda no século XXI existe a preocupação no esteriótipo das pessoas, Susan é um belo exemplo de superação, de não desistir de ser objetivos e de encantar com sua linda voz, parabéns pelo artigo. Como diria o cliche: ” as aparências enganam”.

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