Crise e pesquisas: você está certo ou você dá resultado?

Silvio Celestino em 26 de Março de 2009 @ 12:12  | Enviar por e-mail  | Hits para esta publicação: 475

“Em geral o sucesso leva ao orgulho… e o orgulho leva ao fracasso”

O maior risco que um empreendedor corre é quando assume que sabe o que está fazendo. Os anos podem lhe dar a sensação de que sua inteligência, suas decisões e ações foram as únicas responsáveis pelo sucesso de seu empreendimento, esquecendo-se do contexto. Se muito tempo passa nesta condição, perde o hábito de avaliar o mercado, de ver se os ventos continuam soprando na direção prevista e principalmente se as condições atmosféricas indicam uma chuva, tempestade ou um furacão. A complexidade dos mercados faz com que os fundamentos que balizavam decisões no passado mudem e estas mudanças se não forem percebidas pelo líder empresarial colocam em risco seu negócio.

Se a intuição desempenha um papel fundamental para a primeira ação frente a um problema, a reflexão sobre os resultados obtidos também deve ter seu espaço reservado antes da próxima ação. Ou seja, pensar sobre o que se obteve e compará-lo com o desejado e com humildade criar novas ações é uma atitude coerente com aqueles que buscam um resultado, não importa se tenham de admitir que estavam errados na primeira decisão tomada. Quando o executivo se sente constrangido em dizer que cometeu um erro, gera as condições para o fracasso do empreendimento. Anos de experiência são bons desde que uma transformação no mercado não ocorra. Quando há uma na magnitude da atual, os ciclos econômicos sofrem mutações cujo diagnóstico, análise e novas estratégias se fazem necessários. Se o líder se arraigar a seu conhecimento e experiência focalizará o passado ao invés de pensar sobre o futuro. Neste contexto o fracasso de suas ações será para ele algo incompreensível e muitas vezes um peso insuportável. É uma experiência lamentável ver um negócio de décadas sucumbir.

Mas, não precisa ser assim. Vivemos a era da informação e há muitos estudos, pesquisas e conhecimento sobre o que vai pelo mundo. Em primeiro lugar precisamos ter o cuidado para entender que nem todo estudo ou pesquisa são feitos pelo método científico. Portanto, antes de tomar como verdades estes trabalhos, procure entender qual metodologia foi utilizada, quais os cuidados que foram tomados para assegurar a qualidade da informação obtida – e principalmente quem patrocinou o estudo. Já li sobre pesquisas que comprovavam que o profissional cujo sapato estava bem engraxado tinha 70% de chances a mais de conseguir um novo emprego. Embora entenda que os sapatos devam estar sempre impecáveis, saber que a pesquisa foi patrocinada por uma fabricante de graxas mostrou-me que os resultados eram muito suspeitos.

Outro cuidado importante é verificarmos a relevância da pesquisa para o momento. Afinal, se desejamos tomar atitudes para fazermos frente aos eventos que estamos lidando é fundamental ter acesso a pesquisas atualizadas e que possam nortear nossas ações. Se possível que mostrem dados não apenas dos clientes, mas também da concorrência.

A reflexão é o próximo passo. Ao entrarmos em contato com qualquer estudo temos de gerar perguntas pertinentes que possam criar conhecimento relevante para nossos negócios. Por exemplo: estes dados são consistentes? Quando os combinamos com os números da empresa, como ela está? Minhas percepções são alinhadas ao que mostra a pesquisa ou tenho de revê-las? O que tenho de mudar em meu negócio baseado nestas informações?

Compartilhá-las com os profissionais estratégicos e refletir sobre elas em conjunto também é uma atitude que gera ganhos para a empresa. Se possível discutir as informações com a instituição que as gerou, procurando esmiuçar estes dados e obter uma consulta mais aprofundada de como utilizá-los em seu empreendimento.

Enfim, uma crise econômica aguda cria muitas incertezas que podem ser dirimidas com pesquisas atualizadas, pertinentes, feitas com método científico e controle de qualidade da informação. Agir sem ter esta visão proporcionada por estes estudos pode significar cegueira em um momento crítico que demanda ações focadas e com pouca margem de erro. Considerá-las em sua estratégica significa ver as oportunidades em meio à névoa de notícias abundantes, mas nem sempre relevantes para nosso negócio. Visão e ação, as chaves para a saída da crise.

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