Desenvolver pessoas e auto-desenvolvimento

Silvio Celestino em 11 de Março de 2009 @ 00:01  | Enviar por e-mail  | Hits para esta publicação: 1540

Um amigo coach, Pablo Aversa, pediu-me para escrever sobre a experiência de desenvolver pessoas ou de se auto-desenvolver. Escolhi escrever sobre ambas pois com frequência os eventos ocorrem simultaneamente. Penso que a maioria interessa-se por se auto-desenvolver quando algo negativo lhe ocorre: a perda do emprego, a morte dos pais, o abandono pela pessoa amada, o término do dinheiro ou a falência do negócio. Enfim, quando seu mundo colapsa de algum modo. Nestes momentos o indivíduo desperta para a necessidade de desenvolver-se através de uma busca por uma saída para sua situação em particular. No meu caso um momento relevante foi quando meu negócio da área de informática entrou em colapso devido à crise das empresas “ponto com” em 2.000.

Ela varreu meus clientes do mapa e minha empresa entrou em declínio. Entre 2.000 e 2.001 busquei alternativas no próprio setor de TI, mas a queda das torres gêmeas em setembro daquele ano representou a pá de cal em meus negócios. Meu processo de auto-desenvolvimento começou quando no ano seguinte, 2.002 minha irmã que vive nos Estados Unidos convidou-me a participar de um curso chamado Landmark Forum. Foi a primeira experiência séria que tive com auto-desenvovimento e que me levou a descobrir as possibilidades que poderia explorar fora da área de informática. O curso da Landmark mostrou-me que era possível transformar totalmente minha carreira de TI para a de desenvolvimento de executivos. Desde então fiz vários seminários na própria Landmark, me certifiquei como coach, posteriormente como sênior coach e tenho feito vários cursos sobre o tema. Ao menos uma vez por ano estou em um processo de reciclagem dos conhecimentos e aquisição de novos aqui ou no exterior.

A competência mais importante para o auto-desenvolvimento é se ver livre do que aprendeu primeiro. Em geral aquilo que aprendemos primeiro a respeito de um tema tem uma lógica monolítica em nossa cabeça, ou seja, consideramos que é “a verdade”. Você tem que abrir mão dela. Quando decidi passar do setor de TI para o de desenvolvimento de executivos, meus amigos disseram: não dá. Não se pode jogar 20 anos de experiência fora para começar algo totalmente diferente. Sim, é possível, desde que tenha como princípio o fato de que suas capacidades de aprender e adaptar-se são mais relevantes que sua experiência. Quando temos de nos adaptar a um novo contexto nossa experiência torna-se muito desfavorável por se mostrar irrelevante, um obstáculo ou, o que é mais difícil transpor: ter se transformado em nossa identidade. Assim, se você é reconhecido como um profissional de Tecnologia da Informação, dificilmente o será pelas mesmas pessoas como um de desenvolvimento de executivos. Portanto, para se auto-desenvolver terá por vezes de criar toda uma nova rede de relacionamentos e suas habilidades de marketing pessoal são relevantes neste contexto.

O auto-desenvolvimento é acima de tudo o desenvolvimento da consciência, não do ego. Está mais relacionado a quem você é (em um nível superior) do que ao que você adquire. A partir do momento que a pessoa escolhe um propósito, passa a agir em função dele, da visão que ele provoca como inspiração para as ações.

Já desenvolver pessoas é provavelmente o mais importante papel que temos de desempenhar em nossa existência. Nem o mais complexo computador que já tive de projetar, nem o mais caro e sofisticado sistema que já vendi se compara à experiência de desenvolver uma pessoa. É uma sequência impressionante de aprendizado e responsabilidade: Primeiro você tem de ser rigoroso com as questões éticas, segundo, aprender que por melhores que sejam suas intenções há pessoas que não querem se desenvolver e você tem de aceitar isto: não se pode ajudar quem não quer ajuda. Terceiro: entender os fundamentos da ciência para aplicar com rigor os métodos aprendidos. Ouvir muito. Identificar e respeitar os limites da sua atividade. Respeitar a capacidade e as vivências anteriores da pessoa. Lidar com a complexidade humana em todas suas dimensões. O maior desafio é manter a integridade, ou seja, a congruência entre nossas ações e palavras. E por último, mas não menos importante, viver a experiência de lidar com a transcendência humana. Somos tão únicos que cada vez mais abomino qualquer abordagem que classifique as pessoas, torne-as uma massa ou abuse de sua humanidade.

Cada indivíduo é um mundo em seu interior e nosso propósito ao desenvolvê-lo é auxiliá-lo a trazer este universo para fora, desde que permita sua evolução e a coexistência com os demais.

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2 comentários para “ Desenvolver pessoas e auto-desenvolvimento ”

  1. alexandre rangel 11 de Março de 2009 @ 22:45 1

    Silvio,
    Quando eu finalizo uma entrevista em meu programa na Rádio Bandeirantes, chamado “Executivos por Excelência”, eu sempre busco um “momento de aprendizado”.
    Ao ler seu artigo eu busquei também um momento de aprendizado.
    Dentre taqntos outros, eu destaquei:”temos de abrir mao da verdade”!
    Ou seja, temos de “aprender a desaprender” !
    Se quisermos inovar e mudar, ou pelo menos contribuir para que as mudanças ocorram temos de estar abertos para o novo.
    Se nao inovarmos, se nao apredermos a desaprender, a vida será uma rotina….e me fale: tem coisa pior do que a rotina?
    forte abraço e parabens!!
    Rangel
    Membro da Alliance Coaching

  2. Cristina 3 de Abril de 2009 @ 21:46 2

    Silvio,
    Cada dia que passa, eu desaprendo e esvazio minha mente de alguns aprendizados e os renovo. Faço isso como uma meditação.
    Preciso desaprender a cada dia e aprender com cada nova técnica, metodologia e didática que meus alunos me ensinam.
    Em cada orientação a uma criança, ao professores e pais; primeiro faço o exercicio de ouvir, não é facil, mas é imprescindivel , para que a troca e a orientação verdadeira aconteça.
    Bom senso, bons ouvidos, excelentes conhecimentos e adaptações devem fazer parte deste processo!
    Fico feliz em poder me refestelar com vossos conhecimentos.
    Sucesso, sucesso e parabéns
    Suas palavras são balsamos para nossa evolução
    Maria Cristina Guazzelli
    Coordenadora Pedagógica

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