A morte dos planos de carreira

Silvio Celestino em 18 de Fevereiro de 2009 @ 00:01  | Enviar por e-mail  | Hits para esta publicação: 577

Afinal o que aconteceu aos planos de carreira? Como alguém pode decidir por trabalhar em uma empresa se ela não apresenta uma organização mínima das carreiras de seus funcionários para que possam prever seu futuro profissional? Teriam as empresas negligenciado estes planos?

Pelo contrário, algumas apresentam estrutura de cargos e salários muito bem montadas. Ao longo do tempo têm se aprimorado em definir de forma cada vez mais objetiva o que esperam de seus funcionários para que assumam determinados cargos. Em alguns setores beneficiados pela recente fase de expansão econômica, como o de mineração, encontramos empresas com estas definições estabelecidas na intranet, com acesso a todos os funcionários, inclusive com os cursos que devem realizar para postularem cargos mais elevados. Os departamentos de Recursos Humanos têm se aprimorado e utilizado teses reconhecidas internacionalmente na estruturação dos cargos nas empresas.

A questão não é esta.

É muito simples observar o que aconteceu com os planos de carreira ao lermos as notícias recentes:

O que aconteceu com o plano de carreira de quem trabalha na Nissan que irá demitir 20.000 profissionais?

E com daqueles que trabalham na GM que irá demitir 47.000?

E dos que trabalham na Caterpillar, BMW, Pfizer, Philips, ING entre outros?

Portanto, as empresas não têm condições de oferecer-lhe um plano de carreira porque estão em uma luta de vida ou morte pela própria sobrevivência. Querer que elas se salvem e salvem alguns empregos é pedir muito. Querer que elas se salvem, salvem alguns empregos e ainda ofereçam um plano de carreira estruturado é pedir o impossível.

O plano neste momento é: permanecer vivo.

É hora de inverterem os papéis: você é quem deve planejar sua carreira e escolher as empresas que estão aptas a fazer parte do plano. Procurar se informar em quais áreas elas estão investindo e se os propósitos delas estão alinhados ao seu. Tornar-se um profissional com excelência e classe internacional, preparado para trabalhar onde estiver a oportunidade e criando maiores áreas geográficas para atuar (se você fala inglês, o mundo é o limite).

Lembre-se também que nenhum plano de carreira está acima dos aspectos políticos dentro de uma empresa. Saiba desenvolver suas habilidades de relacionamento, montando uma rede de contatos relevantes para sua carreira. Nunca perca de vista que está em uma competição: o que você imagina que as pessoas com a mesma formação e carreira que a sua estão querendo neste momento? O mesmo que você! Portanto, não basta você ter as competências técnicas, precisa aprender a apresentá-las, ter uma imagem, uma fala e uma postura de credibilidade. Um plano de carreira pensado somente sobre competências técnicas é ilusório, não caia nesta armadilha. Nas empresas há sutilezas, entrelinhas e paradoxos que jamais figurarão em um texto, mas isto não impede que você aprenda estas questões. Criar um plano de carreira para si é complexo mas é a melhor forma de você parar de buscar por um e começar a viver um conectado à realidade.

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