Para achar um novo emprego II (Em tempos de crise)
Silvio Celestino em 25 de Janeiro de 2009 @ 20:00 | Enviar por e-mail | Hits para esta publicação: 1404
Quando nossa vida profissional para em meio a uma crise econômica é porque paramos em alguma área de nosso desenvolvimento antes. Sendo assim, se avaliarmos que setor é este, podemos definir ações que nos moverão em direção a um novo emprego:
Talvez tenhamos perdido o interesse em compreender os fundamentos do mundo empresarial: nada acontece até que algo seja vendido!
Sem vendas não há tributos, lucro ou salário. E portanto não há renda para governos, empresários, trabalhadores ou sindicatos. Mas, se há venda de um produto, serviço ou idéia, não significa que seu emprego está garantido: é preciso que haja um resultado positivo no processo. Quando o resultado é negativo, somente empregados, governo e sindicatos mantêm sua renda. Empresários e acionistas ficam no vermelho. Neste contexto tudo depende das possibilidades deles manterem a empresa funcionando. Se eles acreditam ou têm fundamentos para concluírem que podem confiar no retorno dos lucros em um prazo que possam suportar e em um nível que justifique o risco, manterão a operação e arcarão com os prejuízos. Caso contrário, organizarão a empresa para que possa novamente dar resultado positivo e eles também ter renda - se você acha ruim perder o emprego é porque não sabe o que ocorre com um empresário quando sua companhia fecha em função de prejuízos e dívidas.
Portanto, você tem de saber qual a relação entre o que você faz e o resultado positivo. Ou seja, como a sua especialidade acrescenta dinheiro ao caixa da empresa? É disso que elas precisam no momento, pois perderam a confiança no mercado. Veja a empresa como seu principal cliente (de fato ela é se você é empregado) e descubra como pode atendê-la nesta demanda: resultado. Ele somente pode advir de três ações: aumento da receita, redução dos custos e melhoria de algum processo, produto ou serviço. Entenda-se melhoria tangível, por exemplo: um processo feito em menor tempo, um produto produzido com menos matéria-prima ou um serviço realizado com menor número de pessoas.
Como os mercados retrocederam todas as funções ficaram prejudicadas pois a estrutura da empresa ficou superdimensionada para eles, então todos os custos deverão ser reduzidos e neste sentido você leva vantagem se for polivalente (por exemplo, além de operar a máquina, souber consertá-la). Procure acrescentar novas habilidades ao seu currículo.
Uma crise como a atual pode ter tornado sua área de atuação inviável - ou seja, há excesso de pessoas com a mesma habilidade que a sua. Portanto, por mais improvável que seja, talvez você tenha de pensar em mudar totalmente de campo de atuação.
Outro critério que você deve usar para mudar de área é quando todas as empresas que competem com a sua também estão em péssima situação. Não tenha ilusões, quanto antes começar a procurar uma nova área, melhor - parta do princípio que você não sabe quanto tempo demorará a crise - se ela seguir os ciclos anteriores deverá ser ao redor de 2 anos. Entretanto, devido à magnitude da contração econômica, é impossível prever. E se você não sabe quando as atividades da sua especialidade retornam ao normal é melhor aprender a fazer outra coisa, e rápido!
Ainda no campo do que você pode fazer sozinho, pode ser que você tenha parado de estudar. Neste caso, seu conhecimento tornou-se obsoleto ou insuficiente para ser relevante para as empresas. Uma nova formação acadêmica, um curso de pós-graduação ou uma língua estrangeira pode ser o que lhe falta para atingir uma nova colocação.
Se você já tem um currículo excelente, talvez seja o momento de você vencer sua timidez. Por mais competente que seja, se não souber expressar-se nos momento decisivos, como numa entrevista para emprego, sua competência ficará oculta. Faça tantos curso de expressão verbal ou oratória quanto puder. Se não tiver condições de investir em um, adquira ou empreste um gravador e grave-se falando. Procure ver se você concatena bem as idéias, se sua dicção é boa e se você não fala muito rápido ou muito devagar. Se ainda assim sua timidez persistir, considere como possibilidade consultar um psicólogo para que possa ultrapassar esta barreira. Ou, nos casos mais leves, quem sabe você não se desinibe em uma aula de teatro ou mesmo dança de salão ? Encontre uma forma de vencer a timidez, ela é responsável por boa parte das carreiras interrompidas ou que avançam lentamente.
Ainda nesta linha, outra competência que você deve interessar-se em desenvolver é a construção de sua rede de relacionamentos: sua network. Fico impressionado quando vejo pessoas que acreditam que ter amigos é irrelevante para suas carreiras. Uma rede de relacionamentos nada mais é do que um grupo de amigos que ao invés de gastar dinheiro com você, tem interesse em contribuir com seu sucesso. A propósito, fique com os 2 tipos (os que gastam dinheiro com você e os que ganham dinheiro com você). Caso você não tenha amigos nesta linha, comece a frequentar eventos e ambientes relacionados a temas que você goste muito - seu hobby preferencialmente. Ou relacionados a temas que você gostaria muito de envolver-se: voluntariado, terceiro setor, vinhos, culinária, viagens, cultura, artes, seu autor preferido, esportes, aventuras. Enfim, comece pensando em temas que você poderia falar por horas a fio sem desinteressar-se - vale inclusive temas relacionados a trabalho: marketing, finanças, recursos humanos, coaching, consultoria etc. Nestes eventos converse com as pessoas - nada de timidez - e procure entender o que elas estão precisando - e o que você pode fazer para ajudá-las. Sim, a rede de relacionamentos não começa com seus interesses, mas no que você pode fazer pelos outros. Se você pensar que o mundo está aí para serví-lo, então está com o pensamento invertido. Ninguém ajuda quem não ajuda (e principalmente quem não quer ser ajudado). Somente com um comportamento constante e consistente ao longo do tempo as pessoas verão que podem confiar em você e então poderão contribuir com você, sua carreira e seus propósitos. Tenha interesse genuíno em contribuir ou jamais criará uma rede relevante de relacionamentos - pelo contrário, será visto como um tremendo interesseiro. E relacionamentos relevantes são aqueles com pessoas que estão em um nível hierárquico acima do seu no mundo empresarial ou são capazes de influenciar este nível, pois são os presidentes que contratam os diretores, estes os gerentes e assim por diante. Se isto soa estranho a você, saiba que instituições, empresas e até países foram criados por pessoas que eram antes de tudo amigas e tinham propósitos em comum. Ou seja, pessoas com imensa afeição uma pelas outras - a amizade desempenha um papel mais importante no mundo do que você imagina - e não estou falando de diversão.
Outro aspecto importante para você se interessar em desenvolver para continuar a evoluir em sua carreira é a sua habilidade política. Nas empresas há uma linha imaginária e as pessoas que estão acima dela decidem quem será demitido, as que estão abaixo são as que serão demitidas. Tenha um profundo interesse em evoluir para o primeiro grupo ou sua carreira estará em perigo, principalmente nos momentos de contração da economia, do mercado ou da empresa em que trabalha. As empresas estão sempre buscando crescimento e você deve pensar o mesmo. Crescer na carreira significa tornar-se responsável por pessoas e liderá-las. Quanto mais alto o seu nível de liderança, maiores as responsabilidades e os prêmios pagos. Lembre-se que sua carreira deve fazer parte do seu plano de investimentos e o objetivo é tornar-se independente financeiramente. É difícil chegar lá sem ter um cargo de liderança e eles são envoltos em política e nas regras do poder. Nenhum caminho é fácil para conhecer e principalmente lidar com a política, mas se você tem problemas com isto é melhor aprender a jogar ou vai ficar se lamentando pelas perdas do emprego ou das oportunidades de ascensão. Escrevi sobre isto no artigo: Em sua carreira não tome gol feito com a mão.
Outro detalhe importante, o que se espera no mercado é que uma pessoa evolua em acordo com sua idade. Portanto, se você é mais velho que outra pessoa que faz o mesmo trabalho que você, provavelmente custará mais caro e por isto é difícil a recolocação. É duro manter-se evoluindo e atualizado, mas é melhor reconhecer a realidade: o mercado de trabalho é como uma escada rolante de descida que você tem de subir: se você andar, ficará parado, se ficar parado irá descer, somente os que sobem correndo é que se deslocam, ainda assim bem devagar. Realidade dura, mas igual a todos. Um pouco melhor para aqueles que se interessam pela política e que estão no topo - em alguns caso já seguros fora da escada.
Às vezes o que falta a você é maturidade. Neste caso, procure se expor a mais experiências de vida. Arrisque-se mais. Se possível faça uma viagem sozinho para o exterior, preferencialmente a um país que não fale uma língua que conheça. Aprenda a se virar. Faça um trabalho voluntário e entre em contato com pessoas que vivem dificuldades, mas as vivem com destemor – ajude-as e aprenda com elas.
Outros elementos fundamentais para fazer sua carreira avançar são a sua imagem, sua fala e sua postura. Lembre-se que o profissional vende a todo instante a sua credibilidade. Sendo assim, tenha uma imagem que transmita isto: procure se vestir com a sobriedade, elegância e estilo de um locutor de telejornal quando estiver à procura de um novo emprego. Evidentemente faça os ajustes necessários à sua idade, cargo pretendido e empresa onde está buscando a recolocação – não apareça de terno e gravata em uma empresa que vende materiais para esportes radicais, nem deixe sua nova tatuagem ou piercing à mostra ao procurar emprego em uma organização tradicional. Pense !
Em cada uma destas ações que possam mover seu desenvolvimento rumo a um novo emprego, lembre-se de conversar muito com as pessoas que estão ao seu lado. Procure por aquelas que indicam você para uma nova colocação, ou influenciam alguém que possa contratar você. Não tenha ilusões: a maioria das vagas nas empresas são preenchidas por indicação. Sendo assim, tenha interesse em conhecer pessoas e conquistá-las com uma conversa marcante, relevante e inspiradora.
No mundo corporativo, saber iniciar um diálogo com alguém extremamente importante para sua carreira de forma curta e curiosa é o que se chama de “Conversa de Elevador”. Isto é, você entrou no elevador com a pessoa que pode contratá-lo ou influenciar quem o contrate e tem somente até o andar de destino dela para falar sobre quem você é e o que faz. Não seja óbvio neste momento, saiba criar a curiosidade. Por exemplo, vamos supor que você seja alguém que trabalhe em um banco. Então diga: “vendo dinheiro”. De fato, no banco as pessoas vendem dinheiro, por exemplo, se você quiser ‘”comprar” R$ 1.000,00 o banco te vende por R$ 1.100,00 (os R$ 100,00 a mais é o que chamamos de juros).
Entretanto, não pense que basta você “jogar” uma conversa mole para cima de alguém que vai ser suficiente para que consiga sua recolocação. Tenha interesse genuíno por resolver problemas, aprimorar processos, produzir produtos de alta qualidade, atender com extrema atenção e cuidado os clientes externos e interno à empresa. Em outras palavras, não basta que você queira trabalhar em uma empresa, é preciso que você queira que a empresa ganhe. Assim, saiba quando a empresa que você procura faz um gol e veja se isto tem a ver com você. Se não tiver, procure por outra. O mundo está cansado de ser atendido por pessoas que não gostam da empresa em que trabalham. Se você entende inglês, veja o vídeo que passa o trecho do filme “Uma secretária de Futuro” - Working Girl - está no YouTube, nela a protagonista vivida por Melanie Griffith entra no elevador com um empresário que quer convencer ser ela a autora de uma idéia de negócio. Observe que ela tem de convencê-lo até o andar de destino dele. Veja se ela consegue neste link: “WG - YouTube”. Se você não fala inglês, alugue o DVD do filme “Uma secretária de Futuro” para ver um exemplo cinematográfico do conceito de “Conversa de Elevador”.
Por último se você já descobriu quais áreas de sua vida parou e o que deve fazer para aprimorá-las, saiba fazer o seguinte: imagine o mundo daqui a 3, 5 e 10 anos. Neste mundo do futuro imagine como estará o mercado e as empresas em que pretende atuar. Qual será o seu papel nestas empresas ? Neste papel do futuro, quais competências você precisará ter ? Compare com as que possui hoje e comece a desenvolver desde já aquelas que ainda não tem. Assim você corre menor risco de tornar-se obsoleto ou de ser surpreendido por uma demissão.
São muitas as ações que você pode fazer para desenvolver e ir em direção ao sucesso de sua carreira. O livro “Conversa de Elevador” fala sobre muitas delas: conhecimento, alfabetização financeira, sabático, esportes, coaching, aventura, maturidade espiritual e marketing pessoal. Elas irão construir para você um horizonte mais claro do que fazer para aprimorar-se e chegar lá. Curiosidade: o livro foi escrito baseado na experiência que tive de sair da área de Tecnologia da Informação, onde trabalhei por 20 anos, e ingressar na área de treinamento de liderança empresarial (coaching). O motivo: a crise provocada pelo estouro da bolha das empresas de internet e telecomunicações no ano 2.000 (a bolha “ponto com”) que varreu meus clientes e minha empresa do mapa. Acredite, sei como é desafiador passar a fazer algo radicalmente diferente. E posso assegurar-lhe que não foi um passeio no bosque, mas a experiência valeu cada segundo. Você é capaz de fazer o mesmo se necessário.
Vamos em frente !
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