Seja autêntico!
Silvio Celestino em 23 de Junho de 2008 @ 06:00
Os adolescentes enfrentam muitos problemas devido a sua fala e comportamentos sinceros. E muitos profissionais encaram o. mesmo. Há algo de errado com a sinceridade? Somos tão incentivados a ser sinceros. Por vezes nos penitenciamos por não conseguirmos sê-lo em contextos relevantes de nossas vidas: com nossos familiares, nossos amigos e até mesmo com nosso par!
Uma criança que chega até nós e diz: “não gosto de seu nariz, é muito grande!”, embora embaraçoso para seus pais, é motivo de graça para nós, adultos. Entretanto, o mundo parece que não aprecia muito nossa sinceridade quando crescemos. Não é raro vermos pessoas que dizem não conseguir segurar sua sinceridade. Para algumas ser sincero é sinônimo de dizer coisas desagradáveis para as demais. Uma estranha forma de usar a sinceridade. Na verdade sempre me parece surpreendente como somos ágeis para ofender alguém, mas somos relutantes em expressar nosso apreço e alguns se sentem literalmente apavorados diante da possibilidade de ter de revelar seu amor ou paixão por seu par. Que mundo estranho criamos. Algumas pessoas inclusive consideram terem evoluído e não acreditam que devem segurar suas opiniões e sentimentos, afinal, já “engoliram” demais. Outras são pessoas valiosas, mas solitárias. Existem também as que não conseguem se manter por muito tempo em um emprego e suas carreiras não parecem avançar muito, ou na velocidade que gostariam.
Será o mundo contrário à sinceridade? Devemos fingir nossas emoções e sentimentos? Não criaríamos assim as condições para o estresse e seus desdobramentos em doenças?
Se segurar nossas emoções é um risco à saúde, não dominá-las é um sinal de imaturidade. É importante observar, portanto que quando somos sinceros, não o somos com as pessoas, mas com nossas emoções e sentimentos. O que nos remete para uma profundidade maior do que nos ocorre: somos responsáveis por nossas próprias emoções. Embora no ocidente tenhamos o hábito de culpar os eventos ou as outras pessoas pelo que sentimos, na verdade nossas emoções são acessadas. Por estranho que pareça esta afirmação, é só observarmos o que os atores fazem e facilmente concluímos que seres humanos acessam suas emoções. Mais que isto, dentro de cada um de nós há a possibilidade de criá-las e acessá-las em acordo com o que desejamos ou consideramos mais apropriado em um dado momento. Não precisamos nos tornar monges budistas para isto ou mesmo fazer um curso de teatro, embora sejam boas sugestões passar um tempo com os budistas ou fazer um destes cursos.
Se para a maioria o domínio do irracional equivale a dominar as emoções, no mundo executivo ainda temos de lidar com a enxurrada de pensamentos e preocupações que nos assolam 24 horas por dia. E que são os principais responsáveis por nossas emoções. Portanto, de fato é um problema complexo. Nossos pensamentos geram nossas emoções e depois dizemos que somos sinceros com elas.
Entretanto, qual o poder que temos diante deste contexto? Se você tentar controlar seus pensamentos somente vai tornar as coisas piores. Sua mente tem a capacidade infinita de criá-los. O seu único poder está em quais irá escolher. Portanto, se você escolher aqueles que te levam para uma emoção negativa, sua sinceridade irá gerar sempre conversas e experiências negativas para todos na sua presença. Você pode se livrar de suas emoções com estes diálogos, mas à custa do constrangimento daqueles que o cercam, inclusive daqueles que o amam – colegas de trabalho, amigos, família ou seu par.
Portanto, considere como possibilidade tornar-se uma pessoa autêntica. Para criar este contexto, observe quais propósitos você gostaria de preencher com sua fala e seu comportamento. Por exemplo: você pode ter como propósitos ser educado, ser respeitado, ser um team player, ser um executivo classe internacional, ser inspirador, aceitar as pessoas, saber impor-se sem constranger aos demais, e uma infinidade de outros muito desafiadores. Ao escolher um, por exemplo, ser inspirador, verifique se suas palavras e comportamento inspiram as pessoas e caso negativo, faça os ajustes necessários, ou seja, pare de falar certas palavras, crie outras frases, comporte-se de forma diferente. Seja você a fonte de inspiração que deseja. Quando as falas e as ações de alguém são congruentes, ou seja, estão alinhadas com seu propósito é que dizemos que a pessoa é autêntica. Você deve ser autêntico com seus propósitos. Quanto mais lapidá-los, nutri-los e preenchê-los, maior a possibilidade deles se tornarem as fontes de suas emoções e sentimentos.
Se você tem muita dificuldade em dominar suas emoções, considere como possibilidade fazer uma terapia, um trabalho como Yoga, meditação ou alguma outra técnica que se interessar – faça todas se for necessário. Mas não deixe que suas emoções sejam um obstáculo ao seu sucesso. Quanto mais dominá-las (não controlá-las) irá perceber que elas podem ser enormes forças para você alavancar sua vida em todas suas esferas para as dimensões que deseja. Não há atalhos, mas o caminho vale à pena. Seu futuro agradece! Vá em frente!
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