Em sua carreira, não leve gol feito com a mão

Silvio Celestino em 10 de Março de 2008 @ 06:00  | Enviar por e-mail  | Hits para esta publicação: 843

Como este blog é direcionada tanto ao público masculino quanto feminino e algumas mulheres não apreciam o futebol ou a Fórmula 1, peço licença a estas para fazer algumas analogias com estes esportes para explicar um momento muito difícil de nossas vidas profissionais: quando a deslealdade nos atinge.

Para os aficionados por futebol a cena é antológica: na copa do Mundo de 1.986 no jogo Argentina e Inglaterra, assim descreve Ricardo Acampora, repórter da BBC, o gol argentino: “Foi um gol de mão, de Maradona, que decidiu a partida. Maradona disputou de cabeça uma bola com o goleiro Shilton e usou a mão para tocar a bola para as redes”. Teriam as regras do futebol sido suspensas naquele jogo ? No futebol vale gol com a mão ?

Vamos retroceder mais um pouco. Copa do mundo de 1.970, a partida semi-final é Brasil e Uruguai, o zagueiro Dagoberto Fontes corre em direção a Pelé que avança pela lateral esquerda do campo. Ao perceber a aproximação, Pelé desfere uma cotovelada no rosto do adversário. Ambos vão ao chão e o juiz marca falta… contra o Uruguai ! Teriam as regras do esporte sido subvertidas pelo Rei do futebol ? Vale cotovelada ?

Mudemos de esporte: fórmula 1. Final do campeonato de 1.990. Ayrton Senna larga na Pole Position, Alain Prost da França é segundo. Na pista de Suzuka, no Japão, a primeira curva é para a direita. Senna vem pelo lado direito, Prost pela esquerda. Sinal verde… largada ! Prost toma a ponta e Ayrton segue em sua direção sem fazer a curva, colidem violentamente e ambos saem da prova: Senna é campeão. Um ano depois Ayrton revelaria em entrevista polêmica que de fato jogou o carro em Prost para ganhar o campeonato. Teria Senna tornado-se um sujeito desleal a ponto de assumir tamanho risco para não deixar Prost ganhar ?

Nada disso, na vida não temos como escolher todas as pessoas com as quais iremos nos relacionar. Por vezes para se conseguir o que se quer você terá de fazer o que não gosta, por exemplo: expor-se a indivíduos desleais. Neste contexto, e somente neste contexto, você precisará saber algo que é muito mal compreendido inclusive por esportistas. Existe diferença entre jogo e regra do jogo. Se você não for capaz de fazer esta distinção viverá a experiência de que é cercado por pessoas desleais e que a vida é injusta. Muitos ao final de sua carreira se ressentem de ter sido passados para trás por indivíduos desonestos. Realmente é lamentável a existência de pessoas que não jogam pelas regras. Entretanto, nosso papel é incentivar as pessoas éticas a ser capazes de jogar com estes indivíduos e ganhar. Se quisermos um mundo melhor temos de fazer com que as pessoas se preparem para o jogo real da vida. Saber as regras é apenas parte do jogo, na arena muita coisa acontece que não está escrito em regra alguma.

Para ser vitorioso você terá de ganhar de todos – como Pelé e Ayrton - inclusive daqueles indivíduos que fraudam as regras. Se no futebol onde há câmeras filmando os jogadores fazem trapaças, imagine no seu local de trabalho onde a maioria das ações não são filmadas e não há replay. Portanto, saiba se proteger como Pelé o fez, ou às vezes ser agressiva como Ayrton Senna. No caso de Pelé, o jogador Uruguaio já havia pisado nele anteriormente deixando claro suas intenções de feri-lo no jogo, portanto o que Pelé fez foi se defender. No caso de Ayrton o diretor da prova colocou o primeiro colocado dos treinos (no caso ele) na posição onde a pista é mais suja e portanto onde o carro patina na largada (por isto Ayrton foi ultrapassado por Prost) – ou seja, o juiz da competição estava interferindo no resultado.

Portanto, para defender-se saiba avaliar apropriadamente as pessoas ao seu redor (como fez Pelé). Neste sentido, tome muito cuidado com suas emoções e no caso das mulheres com o famoso sexto sentido, avalie a pessoa buscando evidências do pouco compromisso dela com as regras. No mundo corporativo isto se revela naquelas que evitam assumir compromissos, assinar contratos, confirmar o que falaram, fazer o que combinaram. Algumas ainda usam o antiquado “comigo é no fio do bigode”. Não caia nessa: pessoas confiáveis agem em acordo com suas palavras, quando apropriado assinam contratos e assumem compromissos formalmente. Uma sugestão, quando encontrar pessoas assim, mantenha um registro do que foi acertado com você e seja duro caso ela descumpra. Hoje com e-mail isto não é muito difícil de se fazer.

Não se esqueça de saber quem é o juiz no caso de você ser trapaceado (como ocorreu com Ayrton). Afinal, por vezes a pessoa desleal está com ele ou é ele.

Entretanto, observe que quando alguém desleal é impedido de executar sua ação ele volta a jogar pelas regras do jogo – que é o que todos nós desejamos. Paradoxalmente, uma boa forma de se defender destas pessoas é saber em detalhes como o jogo e as regras funcionam e saber utilizá-las contra elas sempre que necessário. Saiba que as pessoas desleais esperam que você só conheça as regras e não o jogo pois assim estará sob controle. Portanto, surpreenda a todos positivamente: mostre que sabe vencer com a elegância das regras e na dura arena do jogo profissional.

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Um comentário para “ Em sua carreira, não leve gol feito com a mão ”

  1. Douglas 18 de Julho de 2009 @ 12:35 1

    Olá, gostei muito de seus textos, achei seu blog fazendo algumas pesquisas para um novo artigo que pretendo escrever em meu blog, e aproveito a chance para sugerir uma parceria de troca de link entre nossos blogs. Caso aceite, aguardo uma resposta sua.

    Sucesso sempre…

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