O CAOS AÉREO E A LIDERANÇA
Silvio Celestino em 18 de Julho de 2007 @ 16:00 | Enviar por e-mail | Hits para esta publicação: 575
Liderar não é um ato qualquer, exige competência, comprometimento, conhecimento e responsabilidade pelas pessoas. A competência que se exige do líder, em momentos de crise, não é a técnica, mas sim a capacidade de estabelecer um objetivo claro, engajar as pessoas e oferecer a estrutura necessária para que ele ocorra.
A pessoa que foge de estabelecer uma agenda para entregar o que é sua responsabilidade, não deveria estar liderando. Liderar é comprometer-se e dar o melhor de si para cumprir compromissos assumidos. Para isso, deve saber quais critérios adotar para selecionar os melhores técnicos para realizar as tarefas sob seu comando.
O último elo é exatamente a consciência de sua responsabilidade pelas pessoas e por suas vidas. Aquele que lidera mas não sente este peso, não deveria estar nesta posição. Quer seja no governo, quer seja nas empresas, a segurança das operações deve estar acima de qualquer outra obrigação. Não há resultado financeiro ou cargo político que se justifique por colocar pessoas em risco e muito menos quando vidas humanas são perdidas por acidentes que poderiam ser evitados.
O caos aéreo denota a ausência de muitos dos elementos mencionados. A incompetência dos líderes que estão no comando do Ministério da Defesa, da ANAC e da Infraero para resolver a crise é tão evidente que o mínimo que se espera do Presidente da República é a demissão sumária de todos - ou que force o pedido de afastamento daqueles que não podem por lei ser demitidos.
Afinal, a incompetência é a pior forma de desonestidade, pois é acobertada por explicações que nada fazem a não ser perpetuar a mediocridade. E neste caso, quanto mais tempo deixarmos o setor aéreo nas mãos destes senhores, maiores os riscos a que todos nós estamos submetidos.
A falta de comprometimento dos envolvidos aliada a dúvidas quanto ao seu conhecimento sobre como resolver a questão também é notória. Em nenhum momento ouvimos uma resposta organizada do que ocorre no setor aéreo nacional, nem um plano de ação com datas consistentes de quando estes elementos estarão nas condições desejadas para que o setor aéreo esteja operando de forma segura, confiável e capaz de suportar o crescimento do país. E até lá, uma situação operacional rigorosa definida e que não coloque em risco a vida das pessoas.
Líderes que não são capazes de organizar estruturas não deveriam merecer o cargo que ocupam. Irresponsabilidade em todos os níveis e o caos que resultam em perda de vidas. Neste exato instante, milhares de pessoas estão voando neste contexto. Precisamos de respostas com data certa e uma solução definitiva.
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