O Pan e o executivo
Silvio Celestino em 27 de Junho de 2007 @ 06:00
Alguns atletas americanos de ponta não virão para os jogos Pan-americanos do Rio de Janeiro. São duas as razões básicas: o excesso de hostilidades que a equipe dos Estados Unidos recebe no continente americano – ademais no mundo – e o fato de alguns considerarem o Pan um evento menor para suas carreiras. Isto me faz lembrar os jogos de 1.987 realizados em Indianápolis, onde a seleção que representava os Estados Unidos no basquete era de origem universitária e não da NBA (liga principal do basquete americano). Como esperado, chegaram à última partida com status de favoritíssimos e a medalha de ouro seria apenas uma questão de tempo. Entretanto, a seriedade da preparação que o time brasileiro realizou, liderado por Oscar e Marcel, gerou resultado. A derrota da equipe americana na final para o Brasil foi manchete com direito a foto de primeira página nos principais jornais e revistas dos Estados Unidos. O impacto foi tão grande que originou um movimento reorganizador do basquete americano e resultou na criação do Dream Team - time dos sonhos - formado por atletas da NBA para representar os Estados Unidos em competições a partir de então.
Analogamente, o mundo empresarial tornou-se desafiador pela quantidade de eventos pelos quais os líderes são responsáveis. Alguns executivos, em função principalmente da enorme carga de trabalho, têm dificuldades em se organizar para atender apropriadamente a seus clientes, subordinados, pares, superiores e comunidade. Apesar de ser fundamental saber estruturar a agenda a partir dos clientes mais lucrativos, se o líder perder de vista os demais participantes da organização estará cometendo um grave erro. Um único cliente mal atendido pode provocar enorme desgaste à imagem da empresa. Um subordinado desmotivado pode afetar negativamente o clima organizacional e assim por diante. Voltando ao exemplo americano, apesar de considerarem o Pan-americano um evento secundário, ao perdê-lo, o impacto na auto-estima dos atletas foi devastador. Daí a importância de darmos o devido valor a uma oportunidade mesmo que soe para nós menor. Às vezes temos de vencer as pequenas batalhas para ter energia e principalmente preparo para enfrentar as grandes.
Além disso, representar um país no Pan, não é uma atribuição secundária. Do mesmo modo, representar bem uma empresa através de imagem e postura apropriadas é uma tarefa que deve ser levada a sério em todos os instantes: quer seja internamente, quer seja no trato com todos os clientes, no respeito à comunidade e ao meio ambiente.
Por último, mas não menos importante, precisamos incentivar principalmente aos jovens a querer chegar lá. A vencer em suas vidas. O Brasil espera ser representado por atletas que dêem o seu melhor em todos os momentos. As empresas esperam o mesmo de seus profissionais: integridade, auto-estima, credibilidade e vontade de vencer em todos os instantes e em todas as oportunidades. Uma empresa vencedora se faz de pessoas que querem vencer e fazem o que for necessário para isto. Vamos em frente e vamos ganhar !
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