A Pressa
Silvio Celestino em 29 de Maio de 2007 @ 07:00 | Enviar por e-mail | Hits para esta publicação: 549
Ainda pensando sobre o artigo de Ignácio de Loyola Brandão - revista Wish Report número 3 - fiquei relembrando alguns ambientes empresariais. Ele tem razão quando diz que sente falta de cor ao frequentá-los. Onde estão os quadros ? As obras de arte ? Onde está a inspiração que move as pessoas ?
Em uma sala de reunião que freqüento vejo apenas um quadro branco, um hub, canaletas de passagem de fios de computadores. Tudo muito feio, mal instalado, incolor e impessoal. Será que alguém já teve uma grande inspiração olhando para um hub ? E para uma canaleta ? Provavelmente sou o único que escreve sobre a feiúra dos pontos de tomada e interruptores de luz. Mas, talvez seja pelo excesso de correlações que faço. Entrando em um imponente edifício de São Paulo - destes com nomes brasileiros combinados com tower, office, street e park - vejo a preocupação com o lustre imenso. O mármore em tom escuro. As mesas em pedra polida. Mas, ao olhar os pontos de tomadas, os soquetes estão desalinhados revelando um buraco deselegante e feio. Em alguns na verdade a tomada não há, só o buraco. Como serão os serviços e os produtos das empresas que ficam neste prédio. Elas também pecam nos detalhes ?
Detalhes ! Nos inspiramos ao ver cada detalhe de uma obra de arte. Mas, não damos a mesma importância ao acabamento de nossos ambientes. Qual nota pode ser retirada de uma canção de Tom Jobim e continuar a pertencer ao maestro ? Qual pincelada Leonardo Da Vinci fez de forma desleixada em Mona Lisa ?
Somos realmente produtivos em ambientes práticos, funcionais e impessoais ? Como seres humanos somos máquinas de inspiração. Nossas falas, ações, imagem e ambientes ou estão criando inspiração ou destruindo-a.
Se as empresas e as pessoas desejam resultados extraordinários precisam se concentrar mais na energia do que no tempo para produzí-los. Não se constrói um relacionamento consistente rapidamente. Do mesmo modo não se conquistam clientes apressadamente e sem atenção aos detalhes.
A busca apressada por resultados torna a vida dos consumidores um inferno: você já comeu e é hora de sair rápido da cafeteria para dar lugar ao próximo cliente (não importa se você está conversando com alguém relevante, ou o sol está aprazível… levante e saia).
A cerveja ou, o que é pior, o vinho é servido pingando-o na mesa ou em sua roupa. O churrasco é trazido numa velocidade apropriada para um moedor de carne, não para pessoas. Quem deseja voltar a um lugar destes ?
É verdade que precisamos de agilidade ao sermos atendidos em um banco, supermercado ou hospital. Entretanto, agilidade sem refinamento não tem valor. É mal atendimento que com o passar do tempo afugenta os clientes Tão importante quanto vender no curto prazo é estabelecer relacionamentos que produzam vendas no longo prazo. É no equilíbrio complexo de ambos que está a longevidade das empresas.
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